Depois de abdicar do cargo de CEO da Apple em agosto, por conta da sua debilitada saúde, o mundo ficou sabendo nessa quarta-feira que Jobs deixava também seu posto nesse mundo – menos um criativo, menos um inovador, menos um visionário, menos um empreendedor.

A morte de Steve não é uma grande surpresa – há anos ouvimos falar de sua saúde já bastante abalada, e o vimos emagrecer ano após ano por conta de sua luta contra um raro tipo de câncer. Ainda assim, Steve foi nos apresentando na última década a inovações que antes já figuravam nos livros de ficção científica – um dispositivo portátil que faz ligações e otimiza sua vida, um tablet que pode facilmente ser carregado para todos os lados e funciona como uma espécie de caderninho digital, um incrível dispositivo portátil de música, e tantas outras pequenas inovações, que vão sendo incorporadas ao nosso dia a dia como coisas do cotidiano, mas que, tenha certeza, foram meticulosamente acompanhadas por um perfeccionista Steve Jobs.

Hoje o mundo perde alguém talentosíssimo, mas ganha uma personalidade para se inspirar e continuar em busca de coisas ainda melhores. Stay hungry, stay foolish.

Descanse em paz, Steve.

 

Abaixo, capas de alguns dos principais jornais do mundo, além de veículos especializados.

 

 


Na tarde de ontem apresentei a minha palestrinha ‘como e por que colocar sua arte na internet’ no Festival do Instituto de Artes em sua 12a edição, o FEIA 12.

O pessoal interessado foi bastante paciente, porque minha sala permaneceu trancada por alguns bons minutos, mas logo a organização resolveu o problema e iniciamos. No geral, tentei levar o maior número de casos de sucesso para que a minha audiência pudesse entender melhor quais são os prós e os contras de colocar o que se sabe fazer na internet. A idéia inicial está mais detalhada nesse post, de quando eu ainda estava rascunhando a minha apresentação, e abaixo você confere os slides que usei como base.

Como disse na minha apresentação, parece que foi só eu pisar fora da graduação que as coisas no IA começaram a acontecer, com uma turma muito empolgada em transformar idéias em realidade. Eu tentei com o Ambidestria, que durou pouco, mas foi uma ótima experiência. Quem sabe quem está vindo depois de mim pode fazer coisas ainda melhores. É o que eu espero – que depois do ‘incentivozinho’ que dei, mais e mais boas e experimentais artes sejam colocadas na rede :)

 


Resilience is what we need to survive.


O amor bom é facinho, diz Ivan Martins, mas quem já amou sabe que nem só de bons amores é feita a vida. Já há tempos Renato Russo se questionava como é que se dizia ‘eu te amo’, mas se eu fosse respondê-lo hoje diria que é com a maior cara de pau. Carecemos de ‘eu te amos’ sinceros, verdadeiros, daqueles difíceis de dizer, porque se declarar é também se mostrar um tanto frágil, se descobrir vulnerável, e temos aprendido ano após ano que o mundo é dos fortes, dos valentes, dos corações de adamantium.

E isso é uma grande pena. Pena mesmo, porque enquanto Chuck e Blair passam temporadas a fio se debatendo pelas três palavras mágicas, vejo um mundo inteiro que diz ‘eu te amo’ a torto e a direito. Meninas contabilizam tempos recorde, surpresas com a possibilidade de que em apenas quatro dias (ou menos!) o garoto já consiga dizer que a ama. Pode ser verdade? Claro que pode, mas será mesmo que é possível existirem mais amores relâmpagos na vida real do que nos filmes água-com-açúcar de Hollywood?

Na terra do samba a declaração parece que não é vista mais como um grande passo no relacionamento, mas sim como um discurso estratégico. São duas ou três palavrinhas mágicas, dependendo da ênfase, que meninos e meninas passam a usar no pé do ouvido, entre um amasso e outro, durante o sexo, pra tentar conseguir fazer o parceiro ou parceira ficar mais empolgado com a performance; é tática para agradar os mais exigentes e amolecer os mais românticos.  ‘Eu te amo’ não é mais declaração, virou trecho de discurso político.

O ruim é que com isso a frase se banaliza, perde um pouco do sentido. Ninguém mais bota fé no pobre ‘eu te amo’. O que é dito entre uma frase e outra, ou entre um silêncio e outro, com o coração acelerado e a expectativa de ‘o que será que ela (ou ele) vai dizer de volta (ou até não dizer!)?’ agora já começa sendo recebido com desconfiança. ‘Ah, tá, diz que me ama. Sei’, pensa o destinatário da declaração com seus botões. Perdem, com isso, tanto os que dizem estrategicamente quanto os que se entregam àquele amor que está preso no peito, tentando explodir, porque ambos acabam mal recebidos  – a estratégia, já muito batida, mal tem efeito, e a declaração sincera passa por cópia barata.

Mas e aí, hoje em dia, como é que se diz eu te amo?

Acho que ele não tem sido mais dito, mas sim demonstrado, talvez seja até mais interessante assim. Quando o ‘eu te amo’ vira carne de vaca, tipo de coisa que se fala pra muita gente, é preciso buscar uma resignificação.  Quem sabe, com o tempo, aqueles que quiserem angariar apenas uma simpatia extra venham a preferir apenas um sincero ‘gosto muito de você’, os que tiverem como objetivo amolecer os mais exigentes podem voltar às origens e oferecer carinho, atenção e quem sabe até um jantar romântico. Com o ‘eu te amo’ tão batido, podem enfim parar de dizê-lo sem esperar ansiosamente por um ‘eu também’ como resposta, sem planos de subverter significados para um mal arranjado ‘te amo como amigo(a)’ no próximo encontro.

Talvez assim, com mais cautela com as próprias motivações, os amantes possam novamente acreditar no ‘eu te amo’. Não que ele seja eterno, posto que é chama, como já dizia Vinícius, mas que os declarantes possam ter a ousadia e a coragem de admitir que já amaram um dia, ainda que o fogo não esteja mais aceso. Dizer ‘eu te amo’ sem querer significá-lo é covardia – é como apontar uma arma carregada ameaçando atirar e depois do pânico instaurado dizer que é brincadeirinha, que nunca houve a intenção de puxar o gatilho. Melhor uma vida inteira sem revelação sentimental nenhuma do que receber aquelas que são tão falsas quanto nota de três reais, daquelas que mais parecem email de spam do que afeto real. É preciso cuidado com o sentimento que nos motiva a nos declararmos, porque nem tudo nessa vida é só estratégia diplomacia, e ‘eu te amo’ não precisa ser usado como ‘bom dia’.


Nesta noite de quarta-feira, 24 de agosto, foi anunciada a saída de Steve Jobs como CEO da Apple. A medida já era esperada há um bom tempo, com Jobs sempre reforçando que a empresa tem tudo para continuar firme e forte ainda que ele deixe a liderança – a imprensa acompanha nos últimos anos um Steve Jobs cada vez mais frágil, em decorrência dos seus problemas de saúde. O mercado de tecnologia, como não poderia deixar de ser, sofrerá um bom baque.

Abaixo, a capa de alguns dos principais sites de jornais de todo o mundo relatam a notícia.



 

 

 



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