Retrospectiva dos (meus menos de) 9 anos de Brainstorm9

Para acompanhar minha linha de pensamento eu preciso levar você de volta para um tempo em que a MTV passava clips por dias a fio, a internet mais rápida que eu conseguia era a banda larga de 182kb do trabalho e em casa eu ainda precisava esperar dar meia-noite-e-um para concorrer com os meus muitos outros amiguinhos por um acesso discado que custava um pulso só. Nessa época o grande Rei dos IMs, o ICQ, estava sendo desbancado pelo firulento MSN (que era bloqueado no trabalho) e eu já tinha um email do Gmail por conta de ter tentando aprender HTML na marra alterando código fonte de blog no antigo blogspot (o convite de betatest apareceu para os blogueiros de lá).

Quanto bateu 2004, eu tinha encerrado o curso técnico e passava HORAS a fio na frente de um PC, às vezes fazendo muita coisa, às vezes fazendo nada, mas tudo em ‘hora de trabalho’. Nesse tempo não tinha essa de ‘vou acessar meus feeds RSS pra ver o que saiu de bom’ – existia meia dúzia de bons blogs pipocando por ai, e ter o link deles nos favoritos era ESSENCIAL. Era tipo o tesouro digital da época. Por conta disso eu nem sei dizer ao certo como eu conheci o Brainstorm9, mas lembro perfeitamente que a melhor sensação de lê-lo era pensar que o garoto que tocava o site era tão gente quanto eu, do lado de lá daquele monitor de tubo enorme do trabalho. Eu acessava o Brains para ficar por dentro do que era feito em termos de propaganda e pra dar pitaco em tudo quanto era ação que eu via sendo executada na empresa que eu trabalhava, que se autointitulava fábrica de software, mas que tinha uma pegada de agência.

Meu papel era responder ao fale conosco do portal de uma afiliada da Globo do interior paulista. Chegava de tudo por lá, e isso era meio que o máximo de interação entre a programação da TV e a internet que a época permitia. Entre uma resposta de email e outra, eu tentava me manter ‘por dentro’ do que acontecia no mundo publicitário. Na época eu queria virar redatora de agência, todo aquele ar de glamour de ‘vou escrever pra esse cliente’. (Passou isso, gente, fiquem tranks.) e o jeito de me manter antenada era seguir as referências daquele moleque esperto do Brainstorm9.

O tempo passou, o Brainstorm foi crescendo, evoluindo e gambiarrando o que dava para ser feito. Eu já tinha agora minha lista bonitinha de feeds RSS pra acompanhar no Google Reader – vale a notinha: por conta da fuçação virtual, quem explicou o que era um RSS e como implementar isso nos portais da afiliada da Globo lá na empresa acabou sendo eu, do ‘alto’ dos meus 18 anos – e já tinha deixado o emprego de lado pra tentar focar (cof, cof) nos estudos pra conseguir entrar em uma faculdade de jornalismo. Só que o cursinho sempre teve essa pegada de alienar os estudantes, remover deles qualquer resquício de vida social e conhecimento além-do-desejado-pelo-vestibular e eu não queria isso pra mim. Para me manter por dentro e não gastar muito tempo com isso eu implementei podcasts nas pedaladas até o cursinho e ouvia cerca de 1h de noticiário de jornal e algumas recentes novidades no recém lançado Braincast (é, eu tava lá ouvindo o piloto enquanto descia as ladeiras em direção ao Anglo).

O tempo passou, me livrei do cursinho, entrei e saí da faculdade e o Brainstorm9 continuou firme e forte. Lembro do Merigo na primeira edição da Campus Party brasileira, super envolvido na área de “Campus Blog” (hoje não chama mais assim né? mas a primeira edição era assim) e do Jreige perguntando se eu queria que ele me apresentasse o Merigo. Gente, eu sempre fui discreta e pouco fã de tietagem, daí nem fui. A blogosfera da época era uma grande panelinha e eu estava lá bem confortável na minha posição de observadora.

Dois anos depois eu começaria a escrever pro Blue Bus, o site que é referência de notícias de mídia desde o tempo que eu era estagiária de curso técnico de informática. Nem preciso dizer que é um super motivo de orgulho, né? Mas o que me trouxe até aqui (não fui assim tão longe, mas enfim) foi acompanhar a trajetória de pessoas como o Merigo, que sem pretensão nenhuma foram tocando projetos espetaculares, criando coisas e dando a cara a tapa, pedindo opinião dos leitores e aguentando o tanto de encheção de saco que a gente fazia nos comentários (é, eu achava 40 minutos de Brainscast muito, minha pedalada era só de meia hora e não dava pra ouvir até o final em uma viagem só, pronto, falei).

E por isso que é com alegria que eu vou dar um pulo em Sampa nessa quinta-feira pra comemorar com todo mundo esses 9 anos de Brainstorm9.
Parabéns, Merigo, pelos 9 anos de Brains! :) Live long and prosper! \\//

*quem fizer as contas vai ver que eu conheço o Brainstorm há pouco mais de de 6 anos, mas enfim, o post foi descaradamente inspirado na série de retrospectivas feitas pelos colaboradores do site*

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