Menos filtros, mais informação

Quem trabalha com frila home office às vezes fica meio carente. Carente de atenção, carente de ver gente, carente de saber de histórias que nem precisava, de ouvir comentários sobre notícias que não ouviu falar (e que rapidamente dará um Google para entender melhor) e carente de informações que estejam fora de uma zona de conforto pessoal.

Meu caso é esse. Já me peguei achando o máximo ir para a academia em horário de pico para ver gente, ou de ir fazer compras no supermercado, de assistir um pouco de jornal da Globo para ouvir um pouco sobre notícias que não chegaram em mim e esse tipo de ‘cheat’ que a gente faz para mimetizar um ambiente que não temos mais. Eu assumo, mas achava que isso era só comigo, só no meu mundinho freelancer que trabalha em um mini escritório montado no próprio quarto.

Por sorte, toda semana rumo para Campinas para ir assistir às extremamente motivadoras e interessantíssimas aulas da minha pós em Jornalismo Científico, e junto comigo vão pessoas super bacanas e legais que batem papo, contam sobre a vida e sabem todos os memes da internet, inclusive até os que eu não sei. Nos auto-entitulamos ‘Caronas Like a Boss’ e mantemos, como já era de se esperar, um contato cibernético entre uma semana e outra.

Em um desses intervalos de uma ida para Campinas, a Cata mandou um link master bacana sobre os chamados ‘filtros bolha’ da internet (veja o video no site do TED, com legendinhas em PT-BR), o que me deixou um tanto surpresa. Não que eu não soubesse que isso existia porque, né, trabalhamos com internet e falamos sobre tecnologia, mas eu não acreditava que estava assim tão intenso. Não imaginava que era assim tão alienador.

Pra você preguiçosinho que não quis investir 9 minutinhos assistindo à apresentação do Eli Pariser, o ponto principal dele é que os serviços web, como Facebook e Google estão editando os resultados que são mostrados para você baseado nos seus interesses. É interessante até, porque vemos mais coisas de que gostamos, mas é TERRÍVEL se considerarmos que muitas das coisas que precisam ser vistas serão devidamente ocultadas para não importunar o pobre usuário.

Começa com uma simples edição, que remove da sua timeline os seus amigos que tem visões políticas diferentes das suas…

… mas depois migra para algo muito mais sério: a falta de informações que possam ser universais. Já imaginou que até a sua página de busca do Google está personalizada, mostrando o que seria mais interessante para você, mas não necessariamente o que é relevante no momento? Pariser fez a experiência de pedir que dois diferentes amigos buscassem pela palavra Egito, na época dos protestos da Primavera Árabe, e que enviassem a imagem da tela para ele.

Repare: um deles recebe uma gama de informações super politizadas, e o outro mal sabe que os protestos estão acontecendo.

Daí eu me pergunto: estaria a tecnologia, ao invés de incluir as pessoas, excluindo determinados perfis de discussões importantíssimas?
Será que as notícias sobre o movimento Ocupe Wall Street estão sendo ‘limadas’ das páginas iniciais de milhares de pessoas baseadas na sua falta de ‘interesse’ (cof, cof) político? Estariam os meus resultados de busca sempre mostrando como a tecnologia é legal, mas me deixando alheia à informações sobre possíveis efeitos nocivos dela?

Assim como Pariser, que procura saber mais sobre quem tem convicções políticas diferentes das dele, eu gosto de conversar e ler sobre quem pensa diametralmente o oposto de mim. Uma das coisas mais interessantes do Caronas Like a Boss é ouvir pontos de vista de pessoas que pensam coisas que eu JAMAIS pararia para pensar. Conversar com quem concorda comigo é bom, mas é monótono. Eu quero saber mais sobre os argumentos de quem discorda, eu quero ouvir o que eu não fui capaz (ainda) de pensar, de tentar ver o mundo através de um prisma que não é meu (o que é uma enorme dificuldade, ainda mais se eu não falar com essas pessoas, porque no geral eu só tenho acesso imediato ao MEU prisma).

Ou seja, estou considerando seriamente passar a fazer minhas pesquisas sem logar no Google e colocar uma TV plugada em um canal de noticiário ligada do lado do PC (TV ainda é menos personalizável, né?) porque tem coisas que têm sido jogadas meio longe dos meus singelos cliques.

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