Os dias de Google, Facebook, Twitter e outras tantas redes sociais criaram um novo interessante tipo de profissional – o tal do ~repórter da internet~, aquele cara que tecnicamente apura as notícias por conta própria e a próprios custos e publica no seu blog.

A necessidade, que sempre foi a grande mãe da maioria dos negócios, criou também o modelo ~repórter de feed internacional e de rede social~, que dá aquela vasculhada básica nas notícias de fora do país e traz um compilado pro cenário nacional. Dizem os jornalistas old school que isso era chamado de clipping.

Seja lá como for, quem trabalha com conteúdo digital, seja o repórter da internet, o repórter de feed ou até mesmo o conteudista (êta nome feio!) passa sempre por um dilema semelhante: publicar ou não publicar isso, eis a questão. O tempo médio para responder a pergunta é bem pequeno: poucas horas, isso se não estivermos falando de poucos minutos.

Na internet tudo é rápido, dinâmico, veloz. Não tem essa de dar um tempinho para a apuração mais detalhada, de contatar fontes pra confirmar a história, ou quem sabe de esperar mais um tempo pra ver se alguém confirma ou nega alguma informação. Quem trabalha com conteúdo na internet torce – e muito!- por um leitor compreensivo e caridoso, que releve um ou outro erro de digitação ou falta de concordância e que não se incomode muito com atualizações da notícia horas mais tarde.

A notícia na web vive muito de rumores, de informações a serem confirmadas e de ‘estamos aguardando contato da empresa’, ou do presidente, ou de quem sofreu ameaças de processo, ou de quem dizem que iria processar. No ramo da tecnologia, o pessoal já acostumou – especula-se sobre iPhone 5, a Apple vem e lança um 4S, especulam sobre um iPad menor, ela vem e lança o iPad 2. Mas no ramo das notícias longe do caderno tech, o leitor exige uma conversa mais apurada. O problema: não há tempo. Você vai mesmo esperar que AFP, AP, EFE, Reuters e tantas outras dêem a notícia meio esburacada antes, pra você ficar sem pauta? Ou vai esperar algumas horas, pra um leitor espertalhão vir anunciar que essa notícia é ‘tãaao de hoje de manhã cedinho’. Poizé.

A gente trabalha com o que tem. E o que precisamos hoje é de fé em leitores um tiquinho mais complacentes, e uma enorme esperança de que os minutos que estamos perdendo conferindo essa informação possam ser recompensados com uma pauta apreciada pelo nosso público.

Ou, que no mínimo, ela não seja rechaçada.


Para acompanhar minha linha de pensamento eu preciso levar você de volta para um tempo em que a MTV passava clips por dias a fio, a internet mais rápida que eu conseguia era a banda larga de 182kb do trabalho e em casa eu ainda precisava esperar dar meia-noite-e-um para concorrer com os meus muitos outros amiguinhos por um acesso discado que custava um pulso só. Nessa época o grande Rei dos IMs, o ICQ, estava sendo desbancado pelo firulento MSN (que era bloqueado no trabalho) e eu já tinha um email do Gmail por conta de ter tentando aprender HTML na marra alterando código fonte de blog no antigo blogspot (o convite de betatest apareceu para os blogueiros de lá).

Quanto bateu 2004, eu tinha encerrado o curso técnico e passava HORAS a fio na frente de um PC, às vezes fazendo muita coisa, às vezes fazendo nada, mas tudo em ‘hora de trabalho’. Nesse tempo não tinha essa de ‘vou acessar meus feeds RSS pra ver o que saiu de bom’ – existia meia dúzia de bons blogs pipocando por ai, e ter o link deles nos favoritos era ESSENCIAL. Era tipo o tesouro digital da época. Por conta disso eu nem sei dizer ao certo como eu conheci o Brainstorm9, mas lembro perfeitamente que a melhor sensação de lê-lo era pensar que o garoto que tocava o site era tão gente quanto eu, do lado de lá daquele monitor de tubo enorme do trabalho. Eu acessava o Brains para ficar por dentro do que era feito em termos de propaganda e pra dar pitaco em tudo quanto era ação que eu via sendo executada na empresa que eu trabalhava, que se autointitulava fábrica de software, mas que tinha uma pegada de agência.

Meu papel era responder ao fale conosco do portal de uma afiliada da Globo do interior paulista. Chegava de tudo por lá, e isso era meio que o máximo de interação entre a programação da TV e a internet que a época permitia. Entre uma resposta de email e outra, eu tentava me manter ‘por dentro’ do que acontecia no mundo publicitário. Na época eu queria virar redatora de agência, todo aquele ar de glamour de ‘vou escrever pra esse cliente’. (Passou isso, gente, fiquem tranks.) e o jeito de me manter antenada era seguir as referências daquele moleque esperto do Brainstorm9.

O tempo passou, o Brainstorm foi crescendo, evoluindo e gambiarrando o que dava para ser feito. Eu já tinha agora minha lista bonitinha de feeds RSS pra acompanhar no Google Reader – vale a notinha: por conta da fuçação virtual, quem explicou o que era um RSS e como implementar isso nos portais da afiliada da Globo lá na empresa acabou sendo eu, do ‘alto’ dos meus 18 anos – e já tinha deixado o emprego de lado pra tentar focar (cof, cof) nos estudos pra conseguir entrar em uma faculdade de jornalismo. Só que o cursinho sempre teve essa pegada de alienar os estudantes, remover deles qualquer resquício de vida social e conhecimento além-do-desejado-pelo-vestibular e eu não queria isso pra mim. Para me manter por dentro e não gastar muito tempo com isso eu implementei podcasts nas pedaladas até o cursinho e ouvia cerca de 1h de noticiário de jornal e algumas recentes novidades no recém lançado Braincast (é, eu tava lá ouvindo o piloto enquanto descia as ladeiras em direção ao Anglo).

O tempo passou, me livrei do cursinho, entrei e saí da faculdade e o Brainstorm9 continuou firme e forte. Lembro do Merigo na primeira edição da Campus Party brasileira, super envolvido na área de “Campus Blog” (hoje não chama mais assim né? mas a primeira edição era assim) e do Jreige perguntando se eu queria que ele me apresentasse o Merigo. Gente, eu sempre fui discreta e pouco fã de tietagem, daí nem fui. A blogosfera da época era uma grande panelinha e eu estava lá bem confortável na minha posição de observadora.

Dois anos depois eu começaria a escrever pro Blue Bus, o site que é referência de notícias de mídia desde o tempo que eu era estagiária de curso técnico de informática. Nem preciso dizer que é um super motivo de orgulho, né? Mas o que me trouxe até aqui (não fui assim tão longe, mas enfim) foi acompanhar a trajetória de pessoas como o Merigo, que sem pretensão nenhuma foram tocando projetos espetaculares, criando coisas e dando a cara a tapa, pedindo opinião dos leitores e aguentando o tanto de encheção de saco que a gente fazia nos comentários (é, eu achava 40 minutos de Brainscast muito, minha pedalada era só de meia hora e não dava pra ouvir até o final em uma viagem só, pronto, falei).

E por isso que é com alegria que eu vou dar um pulo em Sampa nessa quinta-feira pra comemorar com todo mundo esses 9 anos de Brainstorm9.
Parabéns, Merigo, pelos 9 anos de Brains! :) Live long and prosper! \\//

 

*quem fizer as contas vai ver que eu conheço o Brainstorm há pouco mais de de 6 anos, mas enfim, o post foi descaradamente inspirado na série de retrospectivas feitas pelos colaboradores do site*


Quem trabalha com frila home office às vezes fica meio carente. Carente de atenção, carente de ver gente, carente de saber de histórias que nem precisava, de ouvir comentários sobre notícias que não ouviu falar (e que rapidamente dará um Google para entender melhor) e carente de informações que estejam fora de uma zona de conforto pessoal.

Meu caso é esse. Já me peguei achando o máximo ir para a academia em horário de pico para ver gente, ou de ir fazer compras no supermercado, de assistir um pouco de jornal da Globo para ouvir um pouco sobre notícias que não chegaram em mim e esse tipo de ‘cheat’ que a gente faz para mimetizar um ambiente que não temos mais. Eu assumo, mas achava que isso era só comigo, só no meu mundinho freelancer que trabalha em um mini escritório montado no próprio quarto.

Por sorte, toda semana rumo para Campinas para ir assistir às extremamente motivadoras e interessantíssimas aulas da minha pós em Jornalismo Científico, e junto comigo vão pessoas super bacanas e legais que batem papo, contam sobre a vida e sabem todos os memes da internet, inclusive até os que eu não sei. Nos auto-entitulamos ‘Caronas Like a Boss’ e mantemos, como já era de se esperar, um contato cibernético entre uma semana e outra.

Em um desses intervalos de uma ida para Campinas, a Cata mandou um link master bacana sobre os chamados ‘filtros bolha’ da internet (veja o video no site do TED, com legendinhas em PT-BR), o que me deixou um tanto surpresa. Não que eu não soubesse que isso existia porque, né, trabalhamos com internet e falamos sobre tecnologia, mas eu não acreditava que estava assim tão intenso. Não imaginava que era assim tão alienador.

Pra você preguiçosinho que não quis investir 9 minutinhos assistindo à apresentação do Eli Pariser, o ponto principal dele é que os serviços web, como Facebook e Google estão editando os resultados que são mostrados para você baseado nos seus interesses. É interessante até, porque vemos mais coisas de que gostamos, mas é TERRÍVEL se considerarmos que muitas das coisas que precisam ser vistas serão devidamente ocultadas para não importunar o pobre usuário.

Começa com uma simples edição, que remove da sua timeline os seus amigos que tem visões políticas diferentes das suas…

… mas depois migra para algo muito mais sério: a falta de informações que possam ser universais. Já imaginou que até a sua página de busca do Google está personalizada, mostrando o que seria mais interessante para você, mas não necessariamente o que é relevante no momento? Pariser fez a experiência de pedir que dois diferentes amigos buscassem pela palavra Egito, na época dos protestos da Primavera Árabe, e que enviassem a imagem da tela para ele.

Repare: um deles recebe uma gama de informações super politizadas, e o outro mal sabe que os protestos estão acontecendo.

Daí eu me pergunto: estaria a tecnologia, ao invés de incluir as pessoas, excluindo determinados perfis de discussões importantíssimas?
Será que as notícias sobre o movimento Ocupe Wall Street estão sendo ‘limadas’ das páginas iniciais de milhares de pessoas baseadas na sua falta de ‘interesse’ (cof, cof) político? Estariam os meus resultados de busca sempre mostrando como a tecnologia é legal, mas me deixando alheia à informações sobre possíveis efeitos nocivos dela?

Assim como Pariser, que procura saber mais sobre quem tem convicções políticas diferentes das dele, eu gosto de conversar e ler sobre quem pensa diametralmente o oposto de mim. Uma das coisas mais interessantes do Caronas Like a Boss é ouvir pontos de vista de pessoas que pensam coisas que eu JAMAIS pararia para pensar. Conversar com quem concorda comigo é bom, mas é monótono. Eu quero saber mais sobre os argumentos de quem discorda, eu quero ouvir o que eu não fui capaz (ainda) de pensar, de tentar ver o mundo através de um prisma que não é meu (o que é uma enorme dificuldade, ainda mais se eu não falar com essas pessoas, porque no geral eu só tenho acesso imediato ao MEU prisma).

Ou seja, estou considerando seriamente passar a fazer minhas pesquisas sem logar no Google e colocar uma TV plugada em um canal de noticiário ligada do lado do PC (TV ainda é menos personalizável, né?) porque tem coisas que têm sido jogadas meio longe dos meus singelos cliques.


É o seguinte, é simplesmente impossível não falar de Steve Jobs nessa quinta-feira. Não interessa quantas pautas você tinha no bolso, ou quantas ideias estava desenvolvendo, ou que tem um maluco por aí fazendo cirurgias pra se tornar a cara do Super Homem – qualquer outra pauta fica com cara de superficial, irrelevante, ridícula perto do fato de que um dos maiores CEOs dos últimos tempos faleceu.

No ramo da tecnologia então, esquece. O problema da Wikipedia italiana passa despercebido, gamers que resolvem se mobilizar pra contornarem cláusulas suspeitas da EULA parece notícia pequena, nada consegue ser maior do que falar sobre o aumento da procura da biografia de Jobs, de rememorar seus principais e mais inspiradores vídeos e similares.

Eu não tenho culpa. Entendo que Jobs não é exatamente a última bolacha do pacote, mas como bem disse Alexandre Matias, Steve foi a última grande personalidade do século XX. Agora, somos todos uma massa amorfa, sem rosto, Anonymous que se mobilizam (ou não) e que fazem acontecer, ou não.

Quando Steve Jobs deixa o seu posto na Terra, é a sua vez, nerd e geek de plantão, de tentar fazer algo grandioso acontecer.

O mundo digital é agora. E ai, o que faremos com ele?

 


Depois de abdicar do cargo de CEO da Apple em agosto, por conta da sua debilitada saúde, o mundo ficou sabendo nessa quarta-feira que Jobs deixava também seu posto nesse mundo – menos um criativo, menos um inovador, menos um visionário, menos um empreendedor.

A morte de Steve não é uma grande surpresa – há anos ouvimos falar de sua saúde já bastante abalada, e o vimos emagrecer ano após ano por conta de sua luta contra um raro tipo de câncer. Ainda assim, Steve foi nos apresentando na última década a inovações que antes já figuravam nos livros de ficção científica – um dispositivo portátil que faz ligações e otimiza sua vida, um tablet que pode facilmente ser carregado para todos os lados e funciona como uma espécie de caderninho digital, um incrível dispositivo portátil de música, e tantas outras pequenas inovações, que vão sendo incorporadas ao nosso dia a dia como coisas do cotidiano, mas que, tenha certeza, foram meticulosamente acompanhadas por um perfeccionista Steve Jobs.

Hoje o mundo perde alguém talentosíssimo, mas ganha uma personalidade para se inspirar e continuar em busca de coisas ainda melhores. Stay hungry, stay foolish.

Descanse em paz, Steve.

 

Abaixo, capas de alguns dos principais jornais do mundo, além de veículos especializados.

 

 




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